sábado, fevereiro 06, 2010

historinha


a situação já ia beirando o insuportável: incontorna-se uma turba em furor e desalinho, no máximo se consegue atravessá-la por perfuração e muita tenacidade. assim se sentia ela, a personagem. mas precisava se mover, mesmo com o som infame que insistia em lhe perturbar o sentido da audição. sempre se pautara por tanta convicção e certezas e uma inabalável crença na honestidade, que mal podia crer estar tão injustamente naquela situação. mas não trairia a si, por isso desejava e mesmo assim continha-se, calava. um silêncio que era a própria mão arrastando em muro chapiscado de cimento, com tanta força que o tapete de heras (disfarce de hipócrita maciez) parecia holograma apenas. e ela decidira não abrir mão de si, a única raiz pela qual prezava, fincada lá fundo, desde a mais infante memória, quando soube o que era proteção. e o que era a contrapartida desta: o estupro, a invasão, a violência dos sentidos e da ordem natural.
o pacto houvera, o pacto vingou. o pacto foi a raiz reconhecida e renovadamente escolhida.
então, era preciso seguir, nem sempre sabendo como ou para quê. mesmo após desistir, precisava seguir, pois assim fora o pactuado. e ela iria, que palavra de homem não volta atrás...

como quem cria planta, a responsabilidade indelével da terra, da água, das flores. como quem cria bicho de estimação, a responsabilidade indelével do abrigo, da água, do alimento, do afeto.

ela seguia como planta criada por si mesma, como bicho de sua própria estimação.

3 comentários:

Clara disse...

Vamos ter fé!O universo é justo com as boas criaturas.O futuro será promissor!Estarei torcendo sempre!

beijos, flor minha.

Adely disse...

tenacidade aprendida com ninu, ou será que ela que aprendeu com a mãe?

lagarta disse...

eu nem sei o que dizer, só o registro de tu aqui: o sopro. acho que somos uma simbiose, ninu, eu toda a família...