domingo, abril 24, 2011

Lançamento (em São Paulo) do livro "Copi: transgressão e escrita transformista"

EVENTO: Cidade a Travessa

QUANDO: 30/04/2011 (sábado), às 20h

ONDE: Casa das Rosas

ENDEREÇO: Av Paulista, 37 - Bela Vista - São Paulo

Fones: 11 32856986 e 32889447


Evento multimídia, envolvendo diversos poetas, performers, artistas e no qual haverá o lançamento "paulista" do meu livro Copi: Transgressão e Escrita Transformista.

sexta-feira, abril 15, 2011

Lançamento do livro "Copi: transgressão e escrita transformista"



Este livro, fruto de extensa pesquisa da professora Renata Pimentel, traz ao público brasileiro a obra e a vida do escritor, ator, dramaturgo e cartunista Raul Damonte Botana, ou simplesmente Copi, como costumava assinar. Argentino exilado na França, com obra amplamente reconhecida na Europa, sobretudo pela sua ousadia no que se referia ao rompimento de barreiras políticas e de preconceitos, Copi, ainda pouco conhecido no Brasil, ganha com esse livro a devida atenção, em momento de extrema relevância para os estudos da sexualidade e das transgressões de gênero. Em sua obra, abordou com ironia a sua própria condição de exilado e artista reconhecido somente fora de seu país, a definição dos gêneros literários, os movimentos políticos de esquerda e de direitos gays e até mesmo a aids, doença da qual foi vítima. Nada escapava ao seu humor sagaz e contundente - violência, amor, poesia, o mundo intelectual. A essência da arte transgressora e de múltiplas faces de Copi estava em descortinar o teatro do mundo e questionar suas verdades estabelecidas.



Queridos,


eu e Copi estamos esperando vocês, com sorrisos e páginas abertas, para o "nascimento" em papel e tinta do meu livro: "Copi: transgressão e escrita transformista", pela Ed. Confraria do Vento.


Data: 16/04/2011


Horário: a partir das 17h


Local: Bar e restaurante Casa da Moeda, Rua da Moeda, 150 - Recife Antigo (Recife - PE)


Não deixem de vir a essa celebração comigo.


Beijos,


Renata (Lagarta)

quinta-feira, março 31, 2011

da urbe ao sapo


o sapo manoelino

se sabe do charco

como natura de origem

e senhorio despossuído do espaço


mas o sapo urbano


-

coitado

-


lhe sobra um charco imundo

de uma praça


-

sítio em extinção

-


no urbe asfalto...


se aventura além

das sujas águas

e da parca grama

ritma encadeados

neuróticos saltos

por entre automóveis

escapando ao acaso

de virar amorfa massa

esmagada no asfalto


única solidariedade

da urbe ao sapo

é que o humano interventor

também reside esmagado

na tumba de concreto


circo armado








quarta-feira, dezembro 29, 2010

película





fina celulose
invólucro
teia:
expõe a desproteção


o destraído gesto
que não é acaso
mas inverso
descuido


sufoca
exaure rompe

sob as vestes
do desvelo
o contrato

quarta-feira, novembro 10, 2010

metrônomo humano


os ponteiros do relógio
tropeçam
na velocidade das demandas
eu
somente
olho a rede
convite ao balanço de Morfeu

terça-feira, outubro 26, 2010

braille




me leva pela mão
mas eu seguro em ti


não me deixa segura demais
que eu preciso não sentir


olha,
se abro pestanas,
posso tropeçar


meu propósito é outro sentido
meu percurso é imprevisto


eu quero
por outras vias
enxergar

domingo, outubro 03, 2010

sobre convicções e coerências...


como assim tatear
com dedos que parecem garras
tal tamanha é a incerteza
do seguro seguinte pouso
do pé
ante pé
no que simula chão
mas é nuvem e vácuo
mais incerto passo
olhos fermidos
convictos
de não abrir mão
nem pés
da linha que traço
******
imagem: le jeune funambule, Jessica Rice

quarta-feira, setembro 15, 2010

poemeto desajeitado




como escorregão depois de tropeço, palavras que se dão as mãos e fazem emenda e palhaço no passo sem jeito de fazer riso, querendo do diário e miúdo extrair o siso e pôr tino no leve encargo de existir encantado........................................................................

muitas linhas caminhante exaurido e extenuado, o verso se pergunta: onde me posso ver abraçado?

salta em sílabas como compasso de tambor ritmado; quer soprar melodias austeras de rebelde e geme como lancinante e mudo traço de reta no asfalto.....................................................................

escorrega nos pontos descarrilhados, é pelas palavras usado e vira verso e poema e cabeça trôpega na partitura de afetos de algum leitor desavisado.

vírus sem dono, depois de escrito: jaz contaminado.

terça-feira, setembro 14, 2010

sonambulismos




movimentos de corpo dormente, que parece inconsciente, e se exime das tarefas insanas, mas se dedica como operário padrão ao mais que além do desejo, o que jaz no que lateja: impulso e gozo.

domingo, agosto 22, 2010

ismos e soluços



do senso comum tiro o pé
que atolo no pirão à mesa
em fervura borbulhante da assepsia

pega o peixe, preta
traz fumegante tirrina
da tua coroa que é a cozinha


nem de luva
proteção
nem mão
de lavoura
tira o úmido da terra

desfaz a proteção
do corpo ante corpo


convida a formiga
me lambe o doce
do piche em flor
o azinhave do meu cobre

sem sapato
me instalo fincado
nessa rua
o senso é bom
mau mesmo é o desacato

põe ordem na natureza
e macaco em todo galho

terça-feira, agosto 03, 2010

KKKKKK


"O riso precisa de eco". Isso nem é meu, é de Henri Bergson. Mas concordo tanto. E gosto deveras de rir, como elixir de salvaguarda da minha humanidade!
Não confio em quem não sabe rir; menos ainda se, somado a isso, também não gosta de comer (em todos os sentidos de alimentos, é claro!). Comer e rir: prazeres humanizantes fundamentais que precisam de eco. E tenho dito.

domingo, julho 11, 2010

ovo a la coq





as vezes tenho muita raiva de não me entender em certas situações, eu queria ser mais plano terreno, sem acidentes geográficos de genealogia, sem tanta óbvia interferência de quem se questiona. e, como allen, o woody, eu queria sonoramente admitir e internalizar: whatever works...
e todo meu otimismo seria suficiente para a consciência de tudo que é péssimo não me tomar de assalto como susto que dá soluço por dias seguidos, ou como um cílio que cai no olho e fica escondido no buraco negro do espaço em que habita o globo ocular por uma semana...
como quem aprecia de verdade nem esperar que a gema do ovo cozinhe até ficar consiste e, até, prefere apreciar a gema líquida, ou ainda mais, o ovo a la coq.

quarta-feira, julho 07, 2010

jardim




eu gosto de saber
que os felinos me seguem
que meu pai
é uma tia velha
e sofri abusos
na infância
tirana
eu mordia
como quem toma
para si o naco
mais tenro
do asfalto
como moradia

terça-feira, junho 22, 2010

joão






joão
xangô
ou conforme seja,
aquele que pela água faz vida
aquele que reina o fogo e o trovão
que raios nos protejam,
que nos opostos se tenha
congregação,
congraçamento
e devoção.

viva são joão!
viva xangô menino!

sexta-feira, junho 18, 2010

dia de viagem, triste e saudosa...


tão lindo na foto, descontraído. tinha uma cara que às vezes parecia sisuda, de tão comprometido que era com suas convicções. um humanista ferrenho, de uma consistência e lucidez particulares e raríssimas. vai, mas deixa uma herança inquestionável. vai, josé, vai espalhar tua semente saramaga por outros campos de energia!

terça-feira, junho 15, 2010

carnavais... e eu que sou "do contra"...

hoje já ouvi que "não sou brasileira", numa das concepções mais óbvias e tortas do que seja patriotismo. e tudo isso só porque não me interessa nem um pouco o jogo do brasil na copa do mundo. alías, tenho um pequeno lampejo de interesse, sim. bem gostaria que a seleção perdesse logo na primeira parte da copa, assim a anestesia carnavalizante geral se dissipava. sinceramente, quando haverá presente (e deixará de ser país do futuro) para um lugar que para por tudo? um feriado atrás do outro; um clima de histeria macunaímica por causa de um esporte com imensa parte dos envolvidos tão corrupta quanto também imensa parte das pessoas e instituições do país?
meu são bakhtin, padroeiro da carnavalização medieval rabelaisiana, valei-nos!

domingo, junho 13, 2010

a esperança: última que morre?


estava eu exercendo ofício, na lida do ensino, quando nos visitou pela janela uma espécie de gafanhoto verde, popularmente conhecido como esperança. e ecoa-nos a crença popular de que, quando uma esperança - inseto - entra numa casa ou pousa sobre alguém é um bom presságio. mas quando há ventiladores de teto em funcionamento, e a esperança acaba por chocar-se, em seu voo, com as pás de ferro de um deles em movimento e cai, ofegando, até fenecer?

quinta-feira, junho 10, 2010

história de Zé




rapaz, era uma noite fria dos diabos... chovia canivete, como se costuma dizer. e eu, nem sei dizer, fui parar ali, naquele canto que eu nem conhecia. me perdi da minha trupe, me desgarrei, e nem mesmo sou uma ovelha. olha, foram dias vagando perdido, minúsculo de caber num dedal, magro como um pobre diabo condenado a fenecer de inanição. pra dizer a verdade eu nem sabia mais se sentia fome, eu era um arrepio de medo e uma angústia vital me agarrando desesperadamente a seguir vivente. e meu único recurso: eu miava, com todas as quase mais nenhumas forças que restavam. e não é que deu resultado! apareceu uma moça, mas eu já tinha tanto medo, que chamava ajuda e a temi, quando ela chegou. tentei me esconder da gigante moça. ela insistiu, como convém aos espíritos solidários e me recolheu.
de tão desnutrido, eu parecia já aleijado. minhas patas traseiras não se sustentavam, eu me arrastava com as dianteiras, precariamente. fui recebido, acolhido, esquentado, acalmado. me levaram a uma doutora que me compreendeu a fraqueza e a desnutrição. ganhei vitaminas e alimentos, além do carinho. agora, vou vingar, feito planta viçosa que precisa apenas de água e terra: pasto.
ahh, me batizaram de Zé, belo nome do qual me orgulho, porque me irmana a uma multidão, bem severina, bem maria, bem zé.

domingo, junho 06, 2010

sobre algumas expressões


o gato escondido com o rabo de fora, literalmente. E essa criança felina da foto adora brincadeira de gente, comigo. a preferida é o "pega", em que grito que vou pegá-la e saio correndo atrás dela, pra levar mil "pitos" dela e ela se esconder, sempre assim, como se fosse uma criança de 3 anos de idade, que "põe as mãos nos olhos e, por não estar vendo, crê que não pode ser vista"! ou seja, esconde-se deixando o rabo de fora!

quarta-feira, maio 19, 2010

da série: dicionário de termos literários



sabe a definição de poesia? as vezes é tão difícil definir algo, ao mesmo tempo tão simples e óbvio, que todo mundo sabe o que é, mas que teima em não assentar nas palavras de modo a se traduzir com objetiva e precisa leveza...
mas basta perguntar ao mocinho de óculos e ar intelectual, do alto dos seus nove anos, que ele criou precisa e ligeira definição, assim mesmo, de supetão:
"é um texto que libera emoções".
e tenho dito, assinando embaixo das palavras dele, Raminho.


imagem em: http://marisamelo.files.wordpress.com/2010/01/poesia_pura.jpg