quarta-feira, julho 25, 2007

dissonâncias e afinações

a lagarta perambula em seu passo ligeirinho, por tantas pernas orquestradas já na recuperação das topadas. um arrastar que se faz em largos saltos inaparentes. e vai vagar pensando objetivos que se concretizam em uma medida tão diversa do traçado prévio: aprender é tomar sustos sem perder por completo o fôlego. no suposto engasgo, entra a lufada da surpresa reservada pelos descaminhos cifrados do ampulheto: e havia o menino singelo, doce, de mãos hábeis e língua macia. um presente de palavras e melodia. foi ele o "X" marcado no mapa, que parecia apenas sinal de casual desvio. "tudo que é reto mente", aprende bem a lagarta. e se deixa beijar todas as vezes, pelas mãos do menino. construindo cumplicidades numa terra fria, onde a cerveja nem precisa ser gelada. onde os passos são medidos pela pressa, onde os encontros são esbarrões sem desculpas, sem gentilezas. a lagarta vai levar o menino ainda mais de volta pra sua casa, a dela. e se deixa uma parte das pernas, uma boa dose de arrumadas linhas, rabiscadas em garatuja de caderneta de anotações, nas mãos do menino, nos bolsos de sua calça, nos sons que moram na cabeça do menino: lugar de onde nascem as canções.

3 comentários:

Briza disse...

porque sou curiosa e porque sou enxerida, te vi no orkut e vim aqui bisbilhotar.
aí, achei a tua casa tão bonita, que fiz um buraquinho na minha, só pra te olhar!
=)

pode né?

lagarta disse...

claro que pode, menina briza.
bons ventos a tragam e a conservem.
um sopro de carinho...

Manuel Barral disse...

"de mãos hábeis e língua macia."

woow!